quinta-feira, 19 de março de 2009

UMA VERDADE PRESENTE.

Aguardava uma geração inquieta pelo conformismo,
Porem não nasceu. Pereceu o desejo de luta!
Foi deixado aos sonhadores esse vigor
E contemplo agora, névoas e níveas cinzentas!
Não há mais o protesto contra este século;
As canções não passam de modinhas ocas
Que nem melodia lhes merece título!

Ah, Deus! Se sugerir o nome de Cristo
Serei declarado inquisidor, em sua herança mágoa!
Somente é válido o prazer de um segundo
E na alimentação de dualistas miragens! Nada mais!

Os seres estão amar a própria natureza
E a lei é convertida em cinzas
Com a morte prazerosa do inocente
E a inexistência dos sonhos!

Vejo os amantes dos sugantes charutos,
Com cevadas líquidas sobre seus corpos...
Minha solidão é gestante desse instante
Enquanto eu e poucos a protestar!

Resta-me esse amor, arraigado sem pudor
De mãos dadas, forja esta embriagada luta...
Proponho agora uma Revolução,
Não de vestes bélicas, ou sanguinárias,
Mas da Palavra contra torpes palavras!

ERALDO JOSEPH - 2007.

Quem ver o link desse poema, acesse http://refletindoeaprendendo.blogspot.com/.

Abração!!!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Poemas - Eraldo Joseph

Esse são 2 poemas meus, que deixo... espero que gostem...

abração!!!


CONFISSÕES DE ESCOLA


Agora nesta paisagem desse trafegar

Convier-me à memória, colegas de escola,

Já adultos, olhares vultos, presos ao esmo!


Éramos heróis, bandidos e revolucionários...

Os cálculos, as línguas, história e memória

E agora não passamos de limitados cidadãos!

Nas imagens de amigos, vidas extravagantes,

Deixamos de incomodar para sermos incomodados...


Nutrir neles, um labirinto de saudade

Para que Deus, conserve-lhes a alma.


Quando olho para estas ruínas

Repouso minhas lembranças nos umbrais

E cada vez que nelas descanso

Me lembro de esquecer em fechar-lhes a porta

E ao passear nesta cidade, elas fogem...

Porem, quando voltam, é porque estou solitário

Ou refugiado em um noturno abraço!


Se um dia morrer, morrerei consolado por causa deles...

Concluo: -Os poucos que me restam
Não são as sobras que guardei na gaveta,

Mas são contudo, frutos de uma herança inacabada!


2007



CANTICO.

Ninguém mais me verá chorar!

(título do livro de Cristina Rivera)


Vejas:- há um oceano em uma gota

Minguante harpa forja ardente

Dessas noites, há um carente!


Era como uma dessas canções

Uma canção triste da alvorada

Para serem entoadas, uma nota flutuada!


Me entrego a vida como me entrego à morte

Me entrego a doces braços ao norte,

Como desejo um ar fúnebre...


Faço da vida uma doença mortífera morféia

E faço da morte uma cura perpétua.

Lançado entre cinzas, consome-se o dia!


Nesta imortalidade de séculos domados

A um jardim desejo, o futuro lírico dos campos

Como a sequidão que há de ter, em meus ossos!


Do que direi em esperança aos dias?

O véu sacrificado pela idéia bruta;

Pois tornei-me a herança bastarda de meus pais!


Mas a madrugada pelo meu Senhor

As lágrimas, frutos eternos do clamor

Entrego e busco, em oblações suaves ...


...03-2006.